não sei mais o que quero dessa vida.
num panorama mais geral, daqui a pouco eu tenho 22 anos, formada, desempregada, sem nenhum tipo de perspectiva, sofrendo porque a minha juventude não foi tão emocionante quanto eu pensei que seria.
e não tem graça nenhuma ficar procurando por encrenca, tem que ter espontaneidade. tem que ser alguma coisa essencialmente verdadeira e pura, que escorre e toma conta de uma existência inteira.
mas, provavelmente, eu vou estar trancafiada dentro de um apartamento no bairro do Bonfim, com a carteira de motorista apreendida, pulando de festa em festa e de aula em aula, esperando a hora certa de jogar tudo pro alto e ir viver.
bem... a condição natural dos corpos NÃO é o repouso... é o movimento. e há de se entender que talvez uma certa calmaria pode se instalar em mim nessa época; mas cá dentro, eu sou - e permanecerei até os 22 anos - intranqüila por natureza.
não existe receita, regra, lei, sei lá o que. mas não quero virar gente grande. não quero os 22 anos, nem o diploma, nem ter que trocar o lixinho do banheiro da minha própria casa.
medo da independência, né?
...ou medo de um ponto final?
prefiro uma vírgula, quem sabe. e como minha mãe diria, ai meu deus, quanto drama.
"deixe em paz meu coração
que ele é um pote até aqui de mágoa
e qualquer desatenção, faça não
pode ser a gota d'água "
Um comentário:
Para laura, vc escreveu esse depoimento pra mim, justo pro dia de hoje, né? Aos 18 eu já to me lamentando, não preciso chegar aos 22. não quero crescer, pena que meu pai não entende isso..
um beijo,
;*
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