quinta-feira, 11 de junho de 2009

CAN'T STOP

And I want to be known for my hits,
not just my misses
I took a shot and didn't even come close,
at trust and love and hope
And the poets are just kids
who didn't make it
Who never had it at all

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Se o amanhã não vier

Porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloqüentes como "sempre" ou "nunca". Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicídio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim - nós, não. Contidamente, continuamos. E substituimos expressões fatais como "não resistirei" por outras mais mansas, como "sei que vai passar". Esse o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência.
Claro que no começo, pouco depois de acordar, olhando à tua volta a paisagem de todo dia, sentirás atravessada não sabes se na garganta ou no peito ou na mente - e não importa - essa coisa que chamarás com cuidado, de "uma ausência". E haverá momentos em que esse osso duro se transformará numa espécie de coroa de arame farpado sobre tua cabeça, em garras, ratoeira e tenazes no teu coração. Atravessarás o dia fazendo coisas como tirar a poeira de livros antigos e velhos discos, como se não houvesse nada mais importante a fazer. E caminharás devagar pela casa, molhando as plantas e abrindo janelas para que sopre esse vento que deve levar embora memórias e cansaços. Contarás nos dedos os dias que faltam para que termine o ano, não são muitos, pensarás com alívio. E morbidamente talvez enumeres todas as vezes que a loucura, a morte, a fome,a doença, a violência e o desespero roçaram teus ombros e os de teus amigos. Serão tantas que desistirás de contar. Então fingirás - aplicadamente, fingirás acreditar que no próximo ano tudo será diferente, que as coisas sempre se renovam. Embora saibas que há perdas realmente irreparáveis e que um braço amputado jamais se reconstituirá sozinho. Achando graça, pensarás com inveja na largatixa, regenerando sua própria cauda cortada.

* Lindo, lindo lindo. (Caio Fernando Abreu, num livrinho empoeirado da biblioteca da faculdade de letras; Requiem Para Um Rapaz Triste - A Peça).

sábado, 16 de maio de 2009

Só um sonho e um braço tatuado

Um post de sexta a noite, depois de uns copos entornados e umas portas batidas. Voltei pra casa com a certeza de que não cumpri minha missão, e a impressão de que todos os meus assuntos acabam convergindo para o mesmo tema. Como se, no final das contas, eu sempre quisesse falar a mesma coisa por meios diferentes. Esgotar todos os modos de explorar uma única idéia que eu nem faço idéia do que seja, mas sempre sinto da mesma maneira - mesmo quando as palavras insistem em mudar de posição ou nome.Algo grande o suficiente para assumir diversas formas e gostos e acabar sempre no mesmo lugar... mesmo que a palavra não seja lugar.
O importante é que eu não sinto meus dedos, talvez do frio, talvez do pesadelo meio sonho que eu tive noite passada, em que a minha cama ficava pequena demais pra mim dormir bem.. eu fiquei perturbada, levantei, tomei água, revisitei as imagens no meu cérebro. Substituiram a visão dos Gallagher brothers entoando um hino psicodélico dos anos 90 na minha frente, agora era um braço com uma tatuagem que eu não consigo arrancar do dono o significado, outro braço fino e branco se enroscando; Deus na sua presença mais abominável. Sonhei que discava um número, abria a porta de um carro que ainda nem é meu, Miss You Now tocava no rádio, cabelos eram puxados, assim como limites.
Era uma rua de porto alegre perto da igreja das dores e da sua escadaria, onde os militares de bonezinho circulam, assim como "just two lost souls swimming in a fish bowl...", a gente, denunciando com os fogos de artíficio debaixo das camisetas que viver, acima de tudo, é um ato perigoso.
Foi um sonho, né? Eu me revirava na cama. Pequena demais. Vazia demais. ("Adoro o inverno, mas entro no chuveiro e ligo a água quente no máximo. O sangue que ferve. Faz a gente sentir muito calor).
Não há de se entender nada, não há de se explicar bulhufas, é só pra mim me sentir mais aliviada por descrever o tal sonho. E o Tal. Foi o jeito quase-bonito, tenho certeza. A covinha. A tatuagem, eu sei que foi.
Destino é um cara mais trapaceiro que o tempo, e por isso, há alguns dias, enviou-me certo presente ambíguo: uma possibilidade. Ou disso que chamamos com descuido e alguma pressa, de arrepio..
todo mundo sabe a que me refiro.

(Rua Dos Andradas)

segunda-feira, 27 de abril de 2009

I cant be jaded yet cause I'm only 16

Ali, espremido entre o dia 26 e o dia 28, fica o dia 27.
Fatídico dia em que, a uns bons anos atrás, eu nascia. É certo que o mês não deveria ser abril, sim maio, mas eu tinha muita, muita pressa pra vir logo viver nesse mundo.
Daí foi só ladeira abaixo. Aprendi aquelas coisas que se aprende quando se é criança, submisso e inocente, e também as coisas que se aprende na marra, lambendo asfalto, ralando joelho, sujando o cabelo de vômito, chorando de madrugada, mergulhando com tubarões, rolando em montanhas de neve, zerando prova de matemática, tendo taquicardias em quedas livres, torrando sob o céu eternamente colorido de Salvador, grudando chiclé na cruz e jogando pedra em santo de barro.
Sou inquieta por dentro. Desde a barriga da minha mãe. Planejo viver tão intensamente os próximos 16, 26, 36, 46 anos, o que for. Tenho mania de dizer pras pessoas que eu realmente gosto delas, de abraçar os amigos, de chorar com os filmes de guerra e com os livros de culinária, de passar a mão na cabeça dos meninos de rua, de sorrir pros estranhos, de querer fazer todas as coisas perigosas do mundo, de defender minhas leis de humanidade e de respeito, de querer entender a política a sociedade e a religião como se decifrasse um quebra cabeças da revista da Mônica, de amar todos os tipos de arte, de ver na dança clássica uma veia minha que se perdeu do coração. Mania de contar os segundos e querer gritar pro mundo que eu sobrevivi a tantos deles.
Mas eu sou humana, às vezes malvada, quase sempre um pouquinho manipuladora e, odeio aniversários.
Hoje nesse dia enfiado com resignação entre o 26 e o 28, eu comemoro com mais resignação ainda o meu aniversário. Emburrada atrás da mesa da sala de jantar finamente decorada com a louça italiana das ocasiões especiais, emburrada atrás da classe da escola durante o parabéns coletivo, emburrada atrás dos abraços, emburrada sempre. Não importa. Não sou Peter Pan, e a cada tique e a cada taque e cada dia e cada suspiro, eu fico, inevitavelmente e irreversivelmente, mais velha.
Eu aceito de bom grado que os dezesseis primeiros anos de uma vida não são os definitivos, não são pontos finais, não são trágicos, não são nada. Só são lindos.
Nós, adolescentes, somos irracionais, libidinosos, petulantes, cheio de dúvidas e ao mesmo tempo achando que sabemos tudo... vivemos nos equilibrando sobre a tênue linha da certeza de que passa e da vontade de que dure para sempre. Nossos anos são cheios de uma leveza que não pede nada em troca... só a nossa juventude. Enquanto jovens, não sabemos; e quando velhos, não podemos.
É foda. E é a vida.
Hoje me dou a licença pra ser bem egoísta e tenho a permissão pra mandar no mundo. Ponho Deus no viva voz e peço de todo o coração pra que me dê segurança para ter passos firmes, e pureza para que eles sejam leves; remos fortes para mudar a direção das minhas correntezas, e força para enfrentar a mim e ao mundo...
Peço fé, que é uma palavra linda, e peço uma mente sã pra não mais me esconder do medo. Um santo daqueles bem arretados pra que nenhum vento e nenhuma pancada me tire da minha órbita. Peço que Deus me dê uma gota - ou todas as gotas do mundo - da alegria das crianças, que eu sei, a cada aniversário, é cada vez mais e mais tirada de nós. Por fim, peço a taça sempre cheia, a família sempre saudável, e o sol sempre brilhando. Peço alguém para passar o inverno, uns ramos de alecrim, algumas rosas, açúcar, luz, e que assim seja.
Sempre.
(SWEETIE, BE HAPPY!)

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Sed líbera nos a malo. Amen.