sábado, 27 de dezembro de 2008

meu presente

Eu tentei acabar com a minha dor nesse Natal, descontando em gente que eu gosto muito, em copos de vidro e portas de carro. Exatamente o tipo de dor que se sente no momento que um doce muito bom acaba de terminar, ou que um déjà-vu de algum segundo precioso foi embora, ou que a sua mão acabou de ser solta pela mão de alguém. Um tipo tremendamente assustador de dor; que me fez abaixar a cabeça pros meus próprios pés no meio de uma multidão histérica e sentir vontade de chorar até secar por dentro.
Saudades de 2008, quem sabe? Do Caminho Não Escolhido, que ficou lá pra trás, na encruzilhada? Ou apenas a dor de estar sozinha, mesmo rodeada de gente?
Eu não precisava de uma tequila grátis, eu não precisava de um olhar torto ao passar meu número pra um cara desconhecido, e muito menos de uma batidinha no ombro falsamente simpática. Eu precisava de alguém pra me ajudar.
E esse ano novo eu resolvi que vou passar completamente sozinha.
Que não vou esperar por amigo nenhum vir me socorrer, nem que algum estranho consiga preencher meus vazios... Eu, meu vestido amarelo, o mar e 2009. Eu, minhas esperanças, sonhos e medos.
Mas o meu presente pra humanidade é que eu nunca, jamais, vou fazer qualquer pessoa se sentir solitária, desamparada, ou vazia.

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