Ai, como vc me enxerga mal! - diria com um riso tranquilo no fundo. Sou faceta e isso também sou eu, cada pedaço não me é já me sendo inteira, e ser sonsa de si faz parte do próprio jogo. Porque?, não sabia, mas fora sempre assim. A poesia das pequenas coisas se alargando e tomando o dia inteiro, a beleza cobrindo as coisas, o pensamento circular, lágrimas de apatia e paixão, como explicá-la? Inexplicável, se quase cabia numa música mas transcendia, ultrapassava, poetizava e empobrecia. Às vezes precisava se sujar, e isso era surpreendentemente ruim. Mas precisava, pra se purificar de novo. E mesmo na sujeira encontrava sua essência e sua brancura em ser terrivelmente humana e concreta. Pode ser precipitado, pode ser precípicio, eu sei que você não vai me acreditar: mas estou começando a ser justa comigo mesma, não me condeno, não me odeio, coexisto ainda, indiferente ao âmago, mas que seja esta a primeira forma de recomeçar, impessoalizar a dor. A dualidade da minha alma e da minha pele pedem: pensar e omitir, beber e se abster, chorar e desonrar, e talvez por isso nunca me completasse, e dessa forma, fosse completa. =)
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
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