quarta-feira, 2 de julho de 2008

caio disse

"... tipo um vento vindo do mar, um mar anterior, um mar quase infinito onde nenhuma gota é passado, nenhuma gota é futuro, tudo presente imóvel e em ação contínua."
foto: vendo o sol nascer em itaparica e as nuvens indo pra angola

sexta-feira, 20 de junho de 2008

all i see is fall fall fall fall

busco em vão em cada rosto uma fagulha de poesia, busco entusiasmo nos discursos, busco ideais, ou pelo menos idéias, mas as pessoas passam ao largo, elas andam apressadas, mal-vestidas, os olhos esvaziados por preocupações. não posso fazer nada por elas. não posso fazer nada por ninguém.


terça-feira, 10 de junho de 2008

laura has a very hard time
all her life has been one long disaster
then she tells me she suddenly believes
she does sees very good signs
she'll be taking some aggressive actions
laura - billy joel

quinta-feira, 15 de maio de 2008

felicidade-de-um-dia

foto: rio das pedras, rio de janeiro, 2007
ultimamente eu tenho andado tão feliz. não exatamente por um motivo específico, nem por vários juntos, é um sentimento que não se mede.
sonhei de novo essa madrugada, com aquela paisagem perto do litoral baiano que eu deixei pra trás chorando. não havia harmonia, só barulho; o barulho do meu próprio medo me corroendo por dentro - medo de voltar e perceber que minha vida tinha virado a esquina - e uma onda no quebra-mar lá longe, talvez. e pedro bala, dos capitães da areia, afiando a faca com um olhar de quem ensina um novato, ou dá as boas vindas a um estrangeiro. e desse sonho colorido de laranja, vermelho e rosa, eu acordei sorrindo. às sete da manhã de uma quinta-feira eu levantei da minha cama arrumadinha (porque eu pareço defunto quando durmo) e abri a cortina, me sentindo uma personagem vital de um exagerado escritor barroco.
e assim, vazia e completa, terminei um livro. era carl barât arranhando cant stand me now na orelha esquerda, o jornal nacional na direita e nas mãos carregava Keats me esperando pra ser descoberto. fechei Ensaio Sobre a Cegueira (José Saramago), e descobri que amo os loucos! alternando entre um vazio cheio de falhas e a plenitude, me lembrei da teoria "a vida consiste basicamente em ter lido os livros certos...". deu vontade de chorar. era tanta utopia que fazia o mundo real parecer tão... real (onde já se viu amanhecer completamente cego e retornar às mais antigas raízes humanas? razão = visão or what?). era felicidade e melancolia se misturando e formando uma mistura saturada.
e agora a pouco, me descobri fearless. coragem travestida de esperança, é verdade. assim, indolor, pá pum, percebo a grandeza da minha confusão. não reconheço mais as afirmações: corro minha lapiseira pela linha e desenho um ponto de interrogação. e por alguma causa nada lógica, me lembro das contas de perímetro da sexta série: quadrado = lado + lado + lado + lado. é a geometria explicando meu humor (ironicamente hoje ela destruiu ele. progressão aritmética sucks)! sempre fui desse tipinho; faz um bico tremendo e fala que a vida é só amargura, mas é só fechar os olhos que eu sorrio e vôo e sonho com pedro bala e a bahia de todos os santos. john lennon me entenderia; living is easy with the eyes closed...
e feliz, porquê? depois de tanta drama vindo em comprimidos, feliz, sim. de longe, contra o sol, com dificuldade pra finalmente entender a reviravoltavaivemtroca&muda. os pólos de uma rotina, que por puro capricho de São Tomé (o que só acreditava vendo. meu camarada.) se unem e resultam numa pessoa assim,
que nem eu.
feliz.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

equação ambulante

"chegou a hora de assumir, por exemplo, o meu peculiar jeito de ser. mal humorada com sons, principalmente os relacionados a gente que não sabe comer (comida) ou beijar sem estalar a língua. fresca com comida, de preferência as que esperam você cheias de perdigotos em self-service gordurosos ou, pior, são trazidas pelo garçom que insiste em botar o dedão dentro do prato. maldosa & sensível, feliz de andar cantando e depressiva de nunca achar que uma janela é só uma janela. eu sou sim a pessoa que some, que surta, que vai embora, que aparece do nada, que fica porque quer, que odeia a falta de oxigênio das obrigações, que encurta uma conversa besta, que estende um bom drama, que diz o que ninguém espera e salva uma noite, que estraga uma semana só pelo prazer de ser má e tirar as correntes da cobrança do meu peito. que acha todo mundo meio feio, meio bobo, meio burro, meio perdido, meio sem alma, meio de plástico, meia bomba. e espera impaciente ser salva por uma metade meio interessante que me tire finalmente essa sensação de perna manca quando ando sozinha por aí, maldizendo a tudo e a todos. eu só queria ser legal, ser boa, ser leve. mas dá realmente pra ser assim? eu sou essa pessoa. que não faz questão de ver quem a minha mente castradora me manda amar e que simpatiza, ainda que por alguma doença, com quem me judia aos pouquinhos. que quer matar a velhinha que demora horas para descer as escadas e segundos depois carrega a porra da velhinha no colo e chora sensibilizada pelas fragilidades do mundo. eu só queria que tudo fosse belo, cheirasse bem e tivesse o brilho de um fim de tarde com bebezinhos sorridentes. mas o mundo, as pessoas, as validades, tudo expira, tudo cai, os mitos viram defeituosos, as fortalezas de vidro vagabundo, tudo perde o encanto. e para mim, aceitar tudo isso ainda é comer o feijão com pressa e entupir uma narina. não entra direito. e eu volto a focar o lixo ainda que tenha um mar ao fundo. eu volto a focar o mijo, ainda que tenha a brisa e a maresia em todos os lugares. eu volto a focar o crime, a criança descalça, os olhos adultos de ódio em corpinhos de cinco anos, ainda que tenha a adriane galisteu correndo ao meu lado. eu volto a focar o vazio e essa imensa tristeza sem motivo dentro do meu peito, ainda que o cristo me mande um abraço aberto não muito longe dali. eu sou essa pessoa. que deixa doer porque esse é o único esporte que se pode fazer deitada e que dorme demais como uma resposta blasé a esse mundo que pensa mandar em mim o tempo todo. com medo das paredes fecharem e meus amigos não me amarem mais. com medo de sentir tanto, tanto, a vida, e vomitar em cima do mundo. com medo de quase tudo o que se mexe e muito mais do que não se mexe. mas com uma curiosidade que cura e emudece qualquer pânico. chegar do outro lado sempre ganha de permanecer e se afogar, ainda que eu engula um pouco de água para pedir socorro em prestações e jamais precisar do definitivo."