quarta-feira, 16 de abril de 2008

open, heavy, LOVING

eu to feliz, mesmo sentindo tanta dor.
dor de desprendimento, esquecimento, e, ironicamente, dor de cura. não é aquela que não deixa dormir, ou que algumas pessoas desistem de tentar superar: é dor saudável que me impulsiona.
é confortável, como aquela de furar a cartilagem da orelha, de sustentar 50 kg em cima de uma sapatilha de ponta ou como a de uma dor de cabeça enganosa. é dor bonita, que traz lágrima e sorriso ao mesmo tempo, aperto e liberdade do coração.
eu dou risada dela, às vezes. e sei que ela também ri de mim.
andamos de mãos dadas (na outra levo o destino) e a sinto palpável perto de mim. tão perto quanto sinto a alegria e a saudade.
é uma dor sádica, isso tenho certeza. e que dor não é?
um pouco saudosista, porque esse frio e essas blusas de lã me doem bastante. não só pra acordar cedo de manhã, mas também porque me lembra... alguma coisa.
nada certo, nada nítido; o espelho de machado de assis. uma alma externa que influencia uma alma interna e vice versa. as duas debatendo e duelando constantemente, tentando se sobrepôr.
dor porque eu não me lembro mais.
porque eu não encontro o motivo no meio de tanta bagunça e tanta mudança. mas no escuro da minha incompreenção ela se desenvolve.
cresce e floresce dentro de mim e precisa de espaço, o que eu não tenho.
mas é dor.
e é boa.

3 comentários:

Anônimo disse...

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Laísa disse...

é.. as vezes a dor é boa, a dor vale a pena as vezes
como a dor de aguentar 46 kg em cima de uma sapatilha de ponta, como você disse.
as vezes a dor é gratificante, e no caso da sapatilha, no final, os aplausos compensam a dor

Dan R. disse...

"como a dor de aguentar 46 kg em cima de uma sapatilha de ponta", haha, senti que ela talvez quis dizer que pesa menos que você.
dor hoje é sinal de alegrias futuras, eu penso assim mano.
e é bom sofrer de vez em quando, hahaha, sipá eu sou meio sadomasoquista :(
saudades suas pequena, beijos